De(lírio) de uma timeline em chamas.

O último sucesso da última semana é que todo mundo agora odeia Lírio Ferreira e Claudio Assis. Os caras, que são geniais quando sóbrios, são bem babacas, machistas, infantis , ________________ (insira aqui seu xingamento favorito) quando bêbados.

Status de novidade: 0%.

Dois bobinhos levemente sequelados que, na falta de celebridades locais, assumem o posto de famosinhos da cidade, virando notícia toda vez que falta assunto.

E como falta assunto.

Desta vez, particularmente, o assunto vai além das babaquices ordinárias da dupla “me beija que eu sou cineasta” e entra no terreno perigoso do machismo arbitrário e assumido.

E como são machistas esses homens (e mulheres) do Recife.

A diferença agora é que os dois machistas em questão fizeram suas machices (palavra inventada na emoção do momento) na frente de jornalistas legais e respeitados, ao contrario daquele seu primo que fez um comentário misógino e preconceituoso no jantar da família. Você engoliu seco, sua mãe olhou pro lado e sua tia, coitada, pensou “não sei a quem esse menino puxou”.

Dar a opinião no facebook é ótimo, apesar de que todo mundo que dá opinião no facebook reclama que o facebook tá chato porque tem muita gente dando opinião. O pior, tem gente dando opinião que não é sua opinião e aí fica difícil ser feliz com tanta gente discordando de você (está aí o unfollow para provar).

O problema é que a gente só tem coragem de dar opinião quando o crucificado está do outro lado do equador. E seu primo, aquele sexista idiota, fica protegido pela lei do “não vou jogar merda no ventilador porque é perto demais e pode voar em mim”.

Carol Almeida jogou merda no ventilador. Demorou, mas alguém tinha que fazer ou estaríamos condenados a falar “lá vem Lírio e Claudio, finge que não viu e sai de fininho” pelo resto dos tempos. E lá estava, enfim, na timeline nossa de cada dia, o que todo mundo já dizia entre sussurros e olhares nas mesas do Central.

Cláudio e Lírio, no entanto, não são demônios. São filhos dos filhos do patriarcado nordestino e do coronelismo pernambucano.

Se Carol, com aquelas palavras sabidas, não tivesse dito o que a gente nem sabia que queria ouvir, a repercussão do caso teria sido um leve olhar de reprovação, seguido de um “hunf” e dava-se por encerrado o assunto.

Portanto, o textão de hoje não é para falar mal dos representantes do machismo local (porque são tantos, né, que esse post ia virar o roteiro de Game Of Thrones, com todas as temporadas) , mas para dar os parabéns a Carol que, sem medo da merda que iria voar no ventilador do facebook, saiu da zona de conforto para dar uma opinião.

Será que vamos FINALMENTE falar do machismo pernambucano ou voltaremos a discutir se o vestido é preto e azul ou branco e dourado? Teremos coragem de assumir que nossos irmãos, tios, amigos, pais ou sogros são, muitas vezes, ogros ou vamos cantar “let it be” e deixar passar? Vamos, enfim, tirar essa cara de “whatever” que nos persegue?

Du-vi-de-o-dó.

Status da fé na humanidade: baixo.

Talvez, quando a gente parar de chutar cachorro morto, sair do rebanho e tirar seu primo do armário, a rede social e a vida real passarão a ser terreno realmente perigoso para o machismo, homofobia, gordofobia, babaquice, burrice e infantilidade em geral.

Porque, no final do dia, falar mal de Lírio e Cláudio é tão fácil quanto empurrar bêbado, literalmente, de ladeira a baixo.

Recadinho para a timeline do face: bixa, melhore!

*Se você não é do Recife, clica AQUI para entender melhor a polêmica..

Uma ideia sobre “De(lírio) de uma timeline em chamas.

  1. Rosa disse:

    Então. As pessoas ali gritando, chovendo no molhado.
    Chutar cachorro morto parece esporte na terra dos altos coqueiros. Olhar no espelho ninguém quer.

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