A queda

Hoje entramos em uma nova era: um mundo sem Zuckeberg.
Com a queda do Instagram, WhatsApp e Facebook, o planeta segue a tendência lançada pelo Brasil e volta ao paleolítico.
Jovens, tudo com crise de ansiedade, atônitos quando descobrem que o celular também serve para ligar e falar com as pessoas.
- Mas pra dizer o que? Eles se perguntam perplexos.
- Exatamente o que você diria pelo WhatsApp, só que com velocidade normal.

O país está off (shore) e a comunicação foi praticamente cortada entre os povos, mesmo aqueles que moram na mesma casa. A ideia de sentar da mesa da cozinha e trocar umas ideias, ao vivo, foi recebida como a tsunami que nunca veio: todos correram para as montanhas. Ou melhor, para o twitter.
Deus, numa vingança cármica contra Zuckeberg, apontou para o passarinho azul e pronunciou sua sentença: “mil cairão ao teu lado, mas tu permanecerás de pé”.

Numa diáspora virtual, todos correram para a única rede social com bateria suficiente para durar o dia todo, a bem dizer, o milênio todo: o twitter e seus 280 caracteres. Criado em 2006, essa rede social cringe, sobreviveu aos scraps do Orkut, as fotos de gato do instagram, aos textões do facebook e agora ao apagão mundial da comunicação virtual.

Todo mundo lá, numa aglomeração sem precedentes. Tem influenciador querendo furar fila e fakenews sobre o zuck do milênio. As informações se atropelam e se misturam.

- O zap caiu? Algum desavisado twitta.
- Caiu, Caiu, todos respondem a thread.
Os atrasados, sem entender nada, mas com muita esperança no coração:
- Quem caiu? Bolsonaro? Guedes caiu?.

Quem pode culpar esse brasileiro? A esperança é uma coisa linda.
Se a gente se juntar, além do zap, do face e do insta, a gente derruba o presidente, o preço da gasolina e a inflação.
Alias, por falar em presidente, “não foi possível atualizar seu feed” deveria ser o slogan do Governo Bolsonaro.

Claro que o Facebook está com depressão e crise de pânico. Ninguém sentiu a falta dele, nem vai perceber quando voltar. Dizem as más línguas que essa foi uma estratégia de marketing pra exterminar o Face sem velório nem enterro, como pede o protocolo Covid. Um fim trágico, mas que passaria despercebido pelo público geral. “Uma gripizinha” dirão os negacionistas, enquanto o TikTok, vacinado e de máscara, reinará triunfante num mundo frenético resumido em 60 segundos.

Então, caro leitor, não adianta tirar o moldem da tomada nem reiniciar o celular; o jeito é ler, escrever, conversar ou assistir sessão da tarde. Se cair o gmail e o zoom, a gente decreta feriado nacional prolongado.

obs – Se o twitter cair, a gente se encontra na fila dos Correios.

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