Unicórnios Zoombis

Sem predador natural, o unicórnio se reproduziu de forma assustadora e ameaça o ecossistema regional.

Alguns animais nativos do Carnaval já sofrem com o desequilíbrio ambiental. Entre eles a espécie “toda a irreverência de folião pernambucano” foi quase extinta nesta última festa de momo dando espaço para o espírito de rebanho dos animais místicos.

No princípio, ambientalistas não perceberam a sorrateira intromissão do cavalo de um chifre e se perguntavam somente : “porque geral tá usando diadema de casquinho de sorvete na cabeça?”.
Quando perceberam a gravidade da invasão, o animal pseudo-fofo que vomita arco-íris já tinha colocado em risco toda a criatividade característica da festa pagã.

O Governador do Estado, em pronunciamento oficial, afirmou que a presença invasiva do unicórnio era desconfortável, assim como são desconfortáveis cueca na bunda e RioDoce/CDU ao meio-dia. O Prefeito, no entanto, não fez anuncio solene pois estava ocupado tentando transformar pinto em Galo. Este último inclusive, o galo e não o Prefeito, está em observação na UTI. Suspeita-se que sua postura mofina e depenada se deu pelo fato de que o Galo queria mesmo era sair fantasiado de unicórnio e não de Romero Brito.

Ambientalistas alertam que temos uma ano, antes do próximo Carnaval, para caçar e acabar, não só com unicórnios, mas com qualquer tentativa fashionista de dizimar nossa criatividade nos transformando em another brick in the wall.

obs – ainda é cedo para afirmar, mas teorias indicam que unicórnios foram mandados por Trump para construírem um muro de glitter.

#carnaval #unicórnios #festa #fantasia

Status: em um relacionamento sério com o Carnaval.

Começou tão cedo que posso jurar que tinha Globeleza sambando na cara dos intelectuais antes até do jingle bells. Nem mesmo os panetones saíram da mesa e Felinto, Pedro Salgado, Guilherme e Fenelon, invadiram, com seus blocos saudosos, a rotina líquida e endividada dos recifenses.

Ah, o Carnaval, este senhor com mais vícios que virtudes que passeia sorrateiro pelos corações em chamas. Ele, seu niilismo blasé e nossa carência histórica, de mãos dadas, no bloco Quem vê Carnaval, não vê Coração.

Planejava passar meus dias de momo com pijamas, no lugar de fantasias, trocar as troças por livros e purpurinas por filmes de David Lynch, mas eis que o Galo subiu no poleiro e ouvi o som dos clarins de momo que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba no pé. É a embriaguez do frevo que transforma o ponto final em vírgula e tudo o que vez depois em reticências.

E assim como o eterno retorno de Nietzsche, veremos a repetição dos clássicos da folia: o Cravo vai brigar com a Rosa só para passar o Carnaval solteiro e o repórter da televisão vai falar da “irreverência do folião pernambucano” como se a frase, necessariamente, precisasse ser oposta, em progressão geométrica, `a originalidade da fantasia.  Veremos plumas, paetês, máscaras de políticos, bonecos gigantes, assim como gente de abadá que, por descuido ou ironia, perdeu o vôo para Salvador.

Depois, cansados de sol, suor e cerveja, nos contentaremos com aqueles dias chatos entre a quarta-feira de cinzas e o ano novo. É de fazer chorar.

Rosa

Se a gente não quer repetir fantasia, por que tem que repetir a cor do cabelo?

Pensando nisso, e com zero% de medo,  fui no papel crepom.  Meio adolescente, eu sei, mas no Carnaval we are forever young.

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O que eu não sei explicar é como o papel crepom azul soltou tinta roxa que, misturada no creme de cabelo ficou rosa, deixando assim o cabelo vermelho-pink-lilás (dependendo da luz e do ângulo de visão).

O cabelo ficou bom, mas fudeu minha fantasia que iria ser “Blue is the warmest color”, inspirada no filme de Abdellatif Kechiche.  São os mistérios do Carnaval, minha filha.

Aí, já que ficou rosa mesmo, misturei com papel crepom vermelho e tah-dahhhhhh: virei uma mistura de Corra Lola Corra com Marimoon em 50 tons de rosa.

Tenho fotos para provar a transformação do papel azul, aquele dissimulado, em tinta rosa:

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No fim do dia: girls just wanna have fun!

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Look do fim de semana: Amantes de Glória.

Somos todas AMANTES DE GLÓRIA.

E se você não foi para prévia, fica a dica de look para a segunda-feira de Carnaval, quando Glória sai, triunfante, nas rua do Recife

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Amor&Sexo

Quando dei por mim, estava entre uma DragQueen vestida de galinha e uma mulata sambista de 3 metros de altura ao som de marchinhas do Carnaval carioca. Um confete entrou no meu olho bem na hora que anunciaram os jurados (que, na real, não julgam nada) e Fernanda Lima jogou seu charme e sua piadinha pra cima de mim:

- Estamos aqui com Téta Barbosa. Ou é Têta Barbosa?

- Galega, galega, vai mais pra lá com teu trocadilho que meu maracatu pesa uma tonelada.

Foi mais ou menos assim minha participação no Amor&Sexo, um programa global de auditório com ritmo frenético e platéia delirante. Entre convidados, brincadeiras, jurados amostrados (demais da conta, se querem minha opinião) e fantasias, a gravação do último episódio da última temporada do Amor&Sexo foi em clima de baile carnavalesco, mesmo em Dezembro (vai entender).

Como eu fui parar lá?

O pessoal leu uns textos meus sobre o Carnaval de Recife e Olinda e achou divertido levar uma pernambucana (deve ter a cota de nordestinos exigido por lei, ou algo do tipo). O que Fernanda Lima (Fê , para os íntimos) gostou foi a história de eu e meus irmãos sermos filhos do Carnaval. A dedução óbvia vem de umas contas de matemática toscas: carnaval em Fevereiro e Kaká nasceu em Novembro, Carnaval em Março, eu e Aninha nascemos em Dezembro. Noves fora nada, filhos do Carnaval.

A experiência foi massa e divertida, o estúdio é gigante, as produtoras umas fofas, o diretor estava de tpm, Fê é bacana, os jurados querem muito ser mais famosos do que já são. Neste programa especial, rolou participação de Neguinho da Beijo Flor, Roberta Sá, Glória Maria e um monte de global que eu não sei o nome.

Quando vai passar?

Esta quinta agora, dia 19 de Dezembro. Sim, programa de Carnaval na véspera do Natal, porque quem entende do assunto sabe que Carnaval não tem regra.

Como estou bemmm apaixonadinha pela Estúdio Zero, usei um vestido da marca no programa.

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