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Turista –  Como eu faço para chegar no Bar do Seu Joaquim, aquele famosinho em Casa Forte? Vamos para Recife próxima semana e ouvi dizer que o bar é ótimo.

Recifense – Super fácil. Quando você pousar no aeroporto Eduardo Campos, pede ao taxista para seguir pela Avenida Eduardo Campos, sempre em frente. Depois que passar o viaduto Eduardo Campos, dobra a segunda a esquerda, na Rua Governador Eduardo Campos e segue reto até o túnel Eduardo Campos. Assim que passar o túnel, você vai ver a Biblioteca Eduardo Campos. Pronto, é só continuar em frente e você vai ver o Bar do Seu Eduardo, que era no Seu Joaquim, mas foi renomeado semana passada. Ah, o bairro também não se chama mais Casa Forte, mas Casa Campos. Entendesse Chico?

Turista – ……….

Recifense – Por falar nisso, já pensasse em trocar esse nome? Não sei se Chico combina muito com tu não, visse.

 

A volta de Nárnia.

Acabamos de voltar de Nárnia. Da Terra do Nunca. Do carrinho da montanha russa que saiu, enfim, da Caverna do Dragão.

Se havia meninos, não os achamos mais por aqui. Foram-se todos. Restaram os homens.

Foi ali, bem no meio de uma manhã ensolarada de quarta-feira, que a vida disse: “suas ideias não correspondem aos fatos”.

Ah, os fatos.

Quatro dias e três velórios depois, só sobrou uma urgência: a de amar. A urgência de viver e de ligar no meio de uma tarde de segunda-feira para dizer “estou com saudade”.

Agora, com esse sorriso de funcionária do mês, anunciamos a volta das atividades normais: pagar, dirigir, abrir, fechar, decidir, atender. E seguir. Só seguir.

- Continue a nadar, continue a nadar (sobe som Dory, Procurando Nemo)

A pausa na nossa programação é para deixar um beijo para os meninos de ontem, que acordaram adultos hoje:  Kaká, Daniel ,  Risoto,  Lôbo, Beto Figueiroa,  Pons, Rafa , Fê, Gil,  Pia, Betinho, Chokito, Godoy, Curumim, Tatá, Henrique, Schumi, Bergman, Tomahawk, Paiva, Titico, Pedro, Tom, Black, Jorginho, Chuck (sobre apelidos estranhos, trataremos em outro texto).

E antes que vocês se perguntem, “existirmos, a que será que se destina?”, comunico que não trabalhamos no departamento de adeus, mas de até breve. Muito breve.

Percol, meu filho.

Percol não era meu filho, mas de tanto Kaká, meu irmão caçula, dizer ao telefone:

“- Percol, meu filho, cadê você? A farra é onde hoje?”, desde os tempos de colégio, que meu filho de verdade, Victor, na época muito pequeno, deu para achar que “meu filho” era o sobrenome de Percol.

A confusão ainda era maior porque Percol nem era mesmo o nome de Percol. Carlos Augusto, nome bonito e pomposo, é o que está na certidão de nascimento, mas de tanto usar uma calça jeans da marca percol, foi logo rebatizado. Virou Percol e não se fala mais nisso.

O primeiro peixinho dourado de Victor, “pescado” na feirinha de animais da piscina climatizada do shopping, ganhou o nome de Percol, meu filho. Porque peixe também tem direito a sobrenome, tá pensando o que?

Kaká e Percol seguiram amigos do colégio para faculdade de jornalismo e de lá para os respectivos empregos. Um como assessor de imprensa do Prefeito do Recife, Geraldo Júlio, o outro como assessor do então Governador Eduardo Campos. Certo, confesso, foi com uma forcinha, um empurrãozinho, quase um solavanco, que Percol, meu filho, conseguiu finalmente tirar Kaká da redação do jornal para entrar no mundo da política.

Percol, meu filho, o peixinho dourado de Victor, morreu logo. Não agüentou as batidas no aquário nem o esquecimento do menino, que nunca lembrava, vejam só, de dar comida.

Percol, meu filho, amigo de infância de Kaká, foi embora hoje. Partiu, junto com Eduardo Campos e mais dois grandes amigos jornalistas, Alexandre Severo e Marcelo Lyra, na inexplicável tragédia que caiu hoje sobre o Recife.

Acordamos com a notícia improvável, o avião do presidenciável caiu. O presidenciável é como vocês, do resto do Brasil, chamam. A gente chama de Dudu mesmo. Um político que saiu da sombra do avô famoso, o véi Arrais, para ganhar o respeito de um Estado inteiro.

Hoje, independente de partidos políticos ou ideologia, Pernambuco lamenta a partida de Eduardo Campos. Aqui em casa, choramos todas as lágrimas da saudade em nome do menino da calça percol que já foi peixe e agora virou passarinho e foi para o céu.

Vai em paz, Percol.

 

Paulo quem?

Se as paredes têm ouvidos, seria ao menos justo, que as ruas tivessem boca. Elas, as testemunhas da história da cidade, reais observadoras do passado e presente, espectadoras da vida na pólis.

Pois foram justamente elas, as ruas, que primeiro perguntaram:

- Paulo quem?

Nunca se ouviu falar nele.

O povo, desavisado, imaginou ser o compositor de mais um frevo canção, o presidente de algum bloco, o porta estandarte da troça. No meio do reboliço da orquestra de frevo alguém gritou lá da folia: é o candidato ao governo.

As ruas sacudiram as serpentinas e copos plásticos deixados no chão, limparam o confete dos olhos e repetiram:

- Paulo quem?

O candidato #chatiado porque ninguém conhecia sua história política disse apenas: sou amigo do cara.

E assim Paulo abriu alas, fazendo cosplay de Geraldo Júlio, em mais um episódio de: vão fazer a gente de besta.

As ruas não sabiam o que pensar.

A Rua da Saudade, muito da nostálgica, lembrou da época que Pernambuco tinha história política. A Avenida Norte, coitada, ficou sem Norte.

- Mas ele é mesmo político?

Sim e não. No curriculum nem eleição a síndico de prédio, no sorriso amarelo um suspiro de “quem me botou aqui vai me pagar”. Enquanto isso, o wannabe presidente, coronel de engenho, dono das terras e mentes da província, segue seu rumo.

Ah, disso as ruas lembram bem. Desde antes do asfalto, antes mesmo do paralelepípedo, em ruas de barro e chão de poeira, desde lá elas conhecem o chicote do poder.

- Isso não é novidade não, meu filho, disse a rua das Pernambucanas. Vem de longe, antes do Sol nascer na Rua do Sol e antes mesmo que isso tudo vire discórdia, a Rua da Concórdia adverte que é Carnaval e que, perdidos na Rua Imperial, a espera do Galo da Madrugada, o povo quer mesmo coroar o próximo rei do Império Pernambucano.

- “Política é saber a hora de puxar o gatilho”, disse Eduardo Campos.

Não, não, quem disse isso foi Vito Corleone no Poderoso Chefão, mas tanto faz, né?

Ah, se as ruas tivessem boca.

*Para quem não é de Pernambuco: Paulo Câmara é o candidato, pelo partido do atual governador  Eduardo Campos,ao Governo do Estado . Paulo quem? você se pergunta. A gente ainda não sabe, mas assim que descobrir, eu conto aqui.

O REINO!

Capítulo 1 – A Plebéia!

Blitz na Avenida Recife.

Como ainda não tomei meu banho de sal anual fui parada no bafômetro. De novo!

Fiquei na fila, sim tinha uma fila, soprei os seis segundos e fui liberada.

Não antes de o guardinha perguntar:

- A senhora bebeu?

Eu respondi que não, mas o subtítulo da minha resposta era:

- Não bebi porque estava no teatro da UFPE e lá não vende bebida.

Se vendesse é provável que eu estivesse presa e impossibilitada de continuar escrevendo esse blog.

Aproveitando meu raro momento de vantagem perante a lei, ainda soltei piada e perguntei onde pegava a senha para entrar na fila do bafômetro, tamanha era a quantidade de pessoas esperando a guilhotina.

Uns presos, uns com multas, outros rindo dos presos e com multas.

A implacável lei sendo brilhantemente executada.

Oito agentes de trânsito, fiscais – para evitar suborno – e Secretaria da Saúde, todos juntos numa operação digna de holofotes e dizeres em neon: LEI SECA, EU APOIO, piscando em letras coloridas!

A plebe precisa entender, de uma vez por todas, que o item TAXI entra, para não mais sair, da nossa planilha dos gastos mensais. Na minha, feita em excell, o táxi fica ali entre o inglês de Victor e o plano de saúde familiar.

Capítulo 2 – O amigo do Rei

Enquanto isso, no Reino Encantado dos Arrecifes, o Secretário dos Transportes (veja bem, dos TRANSPORTES) foi parado por semelhante blitz. Não soprou bafômetro, pois os membros nobres da côrte, aparentemente, não precisam seguir as mesmas leis dos plebeus. O soldado do BPTran, teve uma amnésia providencial e ops; esqueceu de assinar a multa. Fato que se justifica estando ele diante do amigo do Rei, coisa muito importante! O nobre em questão, que atende pela graça de Isaltino, estava dirigindo uma carruagem, digo Hilux, alugada e paga pelo Estado. O carro já deveria ter sido devolvido, até porque o moço não é mais Deputado.

-E quem precisa ser Deputado quando se é amigo de você sabe quem?

A gente já falou sobre leis, né? Tudo indica que palavras como políticos e leis não podem ser usadas na mesma frase.

O nobre amigo do rei foi gentilmente encaminhado para seu palácio onde cura a ressaca.

Capítulo 3 – O Rei

Os súditos plebeus, no entanto, munidos de uma ingenuidade sem igual, esperavam que o rei fosse agir. Imaginaram que o monarca castigaria seu funcionário real no intuito de mostrar que a lei é para todos e usá-lo como bom exemplo do poder do Estado. Mas muito enganados estavam os pobres, trabalhadores e assalariados! Isaltino continua Secretário, o Rei continua Rei e eu e você, colega plebeu, continuamos pegando a senha e esperando nossos números serem chamados no grande painel da impunidade e injustiça. O meu é o número 2.346.

Sente e aguarde pacientemente ser chamado para enfrentar a guilhotina.

A menos que você seja amigo do rei, claro.

Moral da história: é melhor ir para passárgada!