FaceBook

Não me adaptei a este novo estilo de post do facebook: colorido com letras gigantes, fazendo cosplay de outdoor gourmet.

É como se estivessem gritando frases que não necessariamente quero ouvir.

Acho a lógica bem simples: se seu texto/frase vier com alface, picles, gergelim e aquele molho especial que a gente chama conteúdo, naturalmente as pessoas vão ler, dar like e, se tudo der certo, até compartilhar (sonho do todo facebook hero) mesmo que a letra tenha corpo 8. Porque, “the answer, my friend, is blowing in the wind”, não tá gritando com o megafone de letras brancas em fundo degradê lilás.

Como nem tenho equilíbrio emocional para falar do degradê, esse post fica assim mesmo: combo de letras pequenas pretas no fundo branco. Não vou acrescentar fritas nem aumentar o refri porque na maioria das vezes, menos é mais.
No fim, tudo me parece muita eloquência para pouca prova.
Sou a moça do sac no quesito “não desligue, sua opinião é muito importante para nós” mas, prefiro comprar sua opinião na planta, não quero visitar o decorado.

Eu lamento, tu curtes, eles compartilham.

Um muro de lamentações, no sentido mais lamentável da palavra. Lá se depositam não só as amarguras da vida terrena, como a esperança de dias melhores e milagres, sejam eles a volta do Messias ou os números premiados da mega senna.

Ao contrário do que se possa imaginar, não estou aqui a falar do templo construído por Herodes e local sagrado do judaísmo, o Muro das Lamentações de Israel, mas do meu, do seu, do nosso facebook. Aquela rede social criada menos para motivos religiosos que para relacionamento de pessoas. Isso, claro, era o que se pensava. Lá nos primórdios do Facebook, quando Mark Zuckerberg tinha mais espinhas que milhões, a ideia era essa: um espaço virtual para compartilhar ideias e interesses em comum.

Mark nunca imaginou, no entanto, que das profundezas do universo virtual iriam surgir tantos “quero ser Paulo Coelho quando crescer”. Nunca pensou, suponho, que a autoajuda invadiria, quente e pegajosa, as timelines do mundo. Ao criar o Facebook não enxergou, lá no breu de 2004, as lamúrias, choramingos, indiretas, orações, desabafos, frases de efeito e fotos de pôr do sol (com aquela ajudinha do photoshop) que ocupariam o lugar do saudável contato social.

Chorar no ombro alheio não é novidade nem veio com o advento da tecnologia, mas assim, em público, pra todo mundo ler, é moda que pegou com as redes sociais. Fins trágicos de relacionamentos amorosos, dor de cotovelo ou ressaca também só passaram a ser compartilhadas após o sucesso do maravilhoso e mágico mundo da internet. Antes, um chute na bunda, se me permitem a expressão chula e popular que designa o fim sofrido de um amor, só era dividido entre amigos próximos, no máximo, numa mesa de bar.

Agora, lamentos e a eterna busca pela vitimização seguida de acolhimento virtual, é boia, como diriam meus conterrâneos pernambucanos.

Eu lamento, tu curtes, ele compartilha. E assim, sem nenhum laço de parentesco com Herodes nem com os judeus, seguimos, sem nem perceber, a tradição. Somos, sem saber, aquele povo que acredita na repetição das lamúrias. Assim como eles, que colocam seus pedidos nas fendas do muro sagrado da antiga Jerusalém, colocamos nossas esperanças nas linhas da timeline.

Tanta tecnologia para tão pouco avanço do ser humano. Quase um desperdício.

*Texto publicado na minha coluna semanal no Blog do Noblat, O Globo.

É muito amor pra pouco Facebook.

Você abre o Facebook e percebe que tem uma notificação.
Imagina, no seu mundo biboplar, que é uma declaração apaixonada ou cantada barata (que nos dias do hoje, fazem o mesmo efeito)
Clica.
Aguarda “pacientemente” aqueles 3 segundos para o carregamento da mensagem e lê:
- “Fulaninho enviou-lhe uma solicitação para CityVille”
Cai o pano.

O Ministério das Emoções Adverte: Cuidado com as solicitações que envia; você pode partir um coração!

Qual a lição do dia?

Keep Calm e pare de Mimimi!

Na alegria e na tristeza.

Dividir um sunday de chocolate é bonitinho.

Ter conta conjunta no banco é socialmente aceitável.

Compartilhar um guarda-chuva num dia de tempestade é poético.

Mas não, nunca, never, jamais dividir a mesma conta do Facebook.

Casais são fofos e a gente adora gente feliz, mas tudo nesta vida tem limite! Podem sair de mãos dadas por aí fazendo inveja aos solteiros solitários, podem se beijar em praça pública, usar alianças, ter as inicias bordadas nas toalhas brancas do banheiro, mas para que, em nome de Alá, ter uma conta conjunta na rede social?

Se nem  Mark  Zuckerberg aprova (“As contas do Facebook são de uso individual. Isso significa que não permitimos contas conjuntas”) é porque, na moral, não pode ser uma boa ideia, né gente?

Vamos começar pelo argumento óbvio: individualidade!

Essa palavra linda que significa que você é você (e mais ninguém). Individualidade é o que te caracteriza como pessoa e enaltece a originalidade própria do ser humano.

Como se pode abrir mão disso?

Casais que vivem num comercial de super bonder são legais, mas sabe quando chega aquela hora que você precisa ir no banheiro s-o-z-i-n-h-o e trancar a porta? Pronto, o facebook é o banheiro e sua individualidade é a porta.

Você precisa ter seu próprio papel higiênico álbum de fotos e sua própria lista de amigos. Você precisa ter, antes de tudo, seu nome lá no topo da SUA timeline.

Renata é linda (de dar raiva) e jovem (de dar raiva). Desde que começou a campanha política (ela está aqui trabalhando com a gente) que nós, mulherada invejosa, procuramos incansáveis um defeito em Renata. De cara pensamos: deve ser burra! Mas a menina é aluna do curso de direito e ainda entende de computadores. Não, não, quem entende de computador é Fernanda, a irmã gêmea dela (irritantemente igual e bonita). Deve ser chata! Mas é uma fofa. Deve ser irresponsável, mas a danada chega na produtora ás 8h da manhã e só sai depois de todo mundo.

Já sem esperanças de arrumar um defeito pra moça, eis a surpresa: o facebook dela é Gustavo Renata Cavalcanti!

Sim, ela divide o perfil da rede social com o namorado.

E, o pior, o sobrenome dela nem é Cavalcanti. O fato é que, como o facebook não aceita perfis conjuntos, ela e o boyfriend tiveram que improvisar e fazer um perfil pra ele encaixando, como quem não quer nada, o nome dela.

Claro que a mulherada caiu em cima e a coitada foi pro paredão. Listamos as razões mais óbvias e lógicas para tentar convencê-la trocar esse perfil ainda hoje. Senão, vamos ser obrigadas a eliminá-la da casa do Big Brother Político. E já ensaiamos nosso texto no confessionário:

- Não é por falta de afinidade não, ela é ótima. Mas facebook conjunto é phoda.

Que Gustavo não nos ouça, mas a gente é a favor da individualidade feminina.

Vai que depois, Deus nos livre, esse namoro acaba?

Não, não queremos isso, juro. Esperamos que os pombinhos dividam muitos sundays de chocolate, que tenham conta conjunta na Caixa Econômica quando forem fazer o financiamento da casa própria, que compartilhem o guarda-chuva nos dias de temporal no Raincife, que sejam felizes na alegria, na tristeza e até no facebook. Mas em contas separadas!

#ProntoFalei e a #HastagMania!

O Facebook, o twitter, o moribundo MSN e o finado Irc afastaram e aproximaram as pessoas, respectivamente.

Meu amor por redes sociais é bipolar: amo e odeio na mesma intensidade.

Os prós neutralizam os contras e vice-versa.

O fato é que a vida online tirou dos nossos ombros o peso do contato pessoal. Nos livramos daquela conversa sem futuro do “oi, tudo bem?” como se a pessoa quisesse ouvir a resposta. Não, não quer. Na ultrapasada conversa ao vivo, fomos obrigados a estabelecer mentiras socialmente aceitáveis: você está sempre bem, sua amiga está ótima naquele modelito duvidoso e não, ela não engordou!

Com o a popularização das redes sociais você não precisa mais mentir. Basta colocar um #ProntoFalei no final da frase e está tudo certo.

Por falar em # + hastag, esse é um assunto que merece uma tese de doutorado da Universidade de Cambridge. Porque só um cientista altamente qualificado pode explicar o fenômeno das pessoas usarem um símbolo (o da velha) com uma palavra que explica o que já foi explicado.

Para quê, eu me pergunto em nome da sociologia moderna, um cidadão coloca uma hastag com a palavra fato no final de uma afirmação? É como se ele estivesse dizendo: “tudo que eu disse antes é mentira/ironia/pegadinha, mas essa frase é verdadeira. Leia-se #FATO.

- Dãaaaa!

Criamos novos e esquisitíssimos códigos de comunicação e a hastag ganhou status de celebridade. Se seus 140 caractéres não acabarem com um # seguido de uma palavra/expressão, você está fora de moda.  #ficaadica

Sim, “fica a dica”  também merece um estudo detalhado e acadêmico sobre a popularização da dica alheia.

Dica é como conselho, se fosse bom era vendido não era dado.

E já que o assunto é rede social, faça-me o favor de tirar sua vaca da minha linha do tempo. Não tenho fazenda, não crio gado e não, não vou aceitar seu convite de FarmVille. #ProntoFalei!

*Post em homenagem a amiga Bruna Duarte que odeia hastags. #fato