Primavera – versão TPM

Hoje é a avant premiere da temporada “bem vinda primavera” em uma timeline perto de você. Redes sociais com mais flores que dinheiro nas malas do ex-ministro.

Recife, que por sua vez só tem verão, ama a primavera mas não é correspondida.

Tá, temos umas papoulas, uns ipês amarelos e bougainvilles, mas olha só, se você tirar a cara do celular e reparar direitinho, elas estão lá o ano inteiro.

Essa estação marota só vem pra constranger nossa auto estima e provar que além de não ter calçadas andáveis e ruas sem buraco, também não temos direito a míseras rosas, gérberas nem margaridas brotando livremente em jardins públicos. Provavelmente porque nem temos jardins públicos.

Na verdade eu nem queria flor, queria mesmo é que ninguém estacionasse na frente do meu portão (mesmo que seja rapidinho só pra pegar junior na escola), queria ficar na fila do supermercado sem ninguém furar a fila (porque a tia estava “guardando” o lugar) e queira muito que a GVT lá de casa entregasse a internet que ela promete no panfleto do sinal. Se no fim do dia ainda tiver uns girassóis, a gente agradece a preferência.

Minha homenagem neste dia, que marca o início do equinócio de primavera, vai para nosso queridíssimo Governador Paulo Câmara e seus 3,7 mil assassinatos em Pernambuco, só este ano. Pra comemorar, sobe som de Titãs:

As flores tem cheiro de morte

A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem”

*Sim, estou na tpm.

 

Informações

Turista –  Como eu faço para chegar no Bar do Seu Joaquim, aquele famosinho em Casa Forte? Vamos para Recife próxima semana e ouvi dizer que o bar é ótimo.

Recifense – Super fácil. Quando você pousar no aeroporto Eduardo Campos, pede ao taxista para seguir pela Avenida Eduardo Campos, sempre em frente. Depois que passar o viaduto Eduardo Campos, dobra a segunda a esquerda, na Rua Governador Eduardo Campos e segue reto até o túnel Eduardo Campos. Assim que passar o túnel, você vai ver a Biblioteca Eduardo Campos. Pronto, é só continuar em frente e você vai ver o Bar do Seu Eduardo, que era no Seu Joaquim, mas foi renomeado semana passada. Ah, o bairro também não se chama mais Casa Forte, mas Casa Campos. Entendesse Chico?

Turista – ……….

Recifense – Por falar nisso, já pensasse em trocar esse nome? Não sei se Chico combina muito com tu não, visse.

 

A treta das tetas.

No episódio de hoje, peitos vetados do Facebook causam furor e topless online.

Mulheres do mundo todo sentem, inexplicavelmente, uma vontade incontrolável de mostrar as tetas na rede social. O fenômeno desencadeia o dia mundial do “você foi vetado do Facebook por um mês e se ficar frescando vai ser vetado para sempre”.

Sobem os créditos finais enquanto o pessoal que foi barrado tenta empurrar os portões dourados que separam a rede social da vida real.

Para fins de contextualização, o vírus do “quero mostrar meu peito no facebook” se espalhou pelo Recife quando a foto do disco da cantora-performista Karina Buhr foi vetada por se achar Deusa e mostrar suas divinas tetas.

O Facebook, que apesar de muita gente achar que é a sala de estar de casa, mas que, na verdade, é uma empresa privada, não vetou Karina Buhr, porque ele nem sabe quem é Karina Buhr. Ele vetou os peitos dela porque, como toda empresa privada, tem regras.

Não concorda com as regras? Não tem problema. Você não é obrigado (isso pouca gente sabe) a entrar no facebook.

Sabia que se você quiser, nem precisa ter perfil lá? (cai o pano).

Mas, caso queira entrar na casa de Mark Zuckerberg, então mano, segue as regras do cara.

Peitos são lindos e não incomodam a maioria das pessoas. Não me incomodam, certamente. Mas talvez, só talvez, incomode aquela freirinha de 112 anos, que mora no convento e usa o Face para se comunicar com a família no interior de Minas. Talvez, só talvez, o que é ok para você, pode não ser ok para o outro, e “putz que chato” lá vem aquela conversa careta de respeitar o outro.

Sabe quando você está fora do país, vê um brasileiro furando a fila e pensa “caraca, brasileiro é foda, não sabe obedecer regras”. Pronto, você que está mostrando os peitos no facebook é o brasileiro furando a fila na Disney.

Você é a criança fazendo birra no meio do supermercado porque a mãe não deixou comer o biscoito antes do almoço.

Você é o cara (ou a cara) que vai fumar dentro do Shopping, mesmo sendo proibido, porque “ah, sou livre e faço o que quiser.”

Mostrar o peito no facebook não te torna uma feminista intelectual que luta pelos direitos humanos e liberdade de expressão, apenas te torna uma pessoa que não sabe se comportar na casa dos outros.

Vendo por outro lado, suponhamos que este argumento esteja completamente errado.

Suponhamos que a sociedade tenha ocupado o Face e que agora a rede social seja domínio público.

Suponhamos, em seguida, que a liberdade de expressão seja, a partir de hoje, irrestrita e absoluta na rede. Teremos peitos, paus, cus, cenas de sexo, masoquismo,crentes, pastores, sua avó, seus filhos e sua prima, todos misturados na timeline da democracia.

Legalizaram geral.

Eu, careta que sou, iria achar meio vibe errada abrir minha timeline de manhã e dar de cara com a foto de uma velhinha, sempre tem uma velhinha, com roupas de borracha vinílica chicotando a bunda de um macho alfa dominante. Mas essa sou eu, uma bobinha com a estranha mania de cumprir regras, seguir leis e, pasmem, chegar na hora.

Eu te pergunto, na real, você vai encarar a liberdade total de expressão ou só da sua expressão? Porque eu sempre acho que a liberdade da gente acaba quando começa a do outro.

Quer fazer compras no shopping? Apague o cigarro.
Vai entrar na Igreja? Tire o chapéu.
Vai fazer pagamento no banco? Fique na fila.
Quer entrar no Facebook? Coloque sua blusa.

*O que não entendo mesmo é a relação de peitos com a venda de discos. Ah, esse maravilhoso mundo secreto do marketing.

Enquanto isso, eu olho para a timeline da rede social e penso “bixa, melhore”.

#TétaNãoQuerMostrarTetas

 

 

Recife e a peleja do sol contra a chuva.

recifeChuvaSol

De um lado do ringue, pesando 1,9891 x 1030 e se sentindo o centro do universo: o Sol. Trajando roupa vermelho-alaranjada e com complexo de superioridade, a estrela maior do sistema solar entra na briga com fogo nos olhos. Mal sabe ele, em sua ego-lombra estelar, que nos causa manchas na pele, câncer e a seca do Nordeste (que agora a gente, de tão bonzinho, emprestou para São Paulo).

Lá de cima, brilhando mais que o rosto de uma recifense às 11 da manhã na Conde da Boa Vista, o Sol, ilumina a Terra de canto a canto. A menos, claro, que você more na Groelândia (nesse caso, vai estar aquecendo suas mãos na lareira do iglu, e não lendo blogs de moda). E ele, todo poderoso, quente e com a auto-estima super-aquecida, espalhou pelas redes sociais e cartões postais da Via Láctea que, no Nordeste, é sol de Janeiro a Janeiro. Como explicar que, desde Julho, está esse puxa-encolhe da chuva? Um marketing pessoal mal feito, diriam os analistas das redes sociais. Além de esfriar a cabeça, o sol precisa mesmo é de um bom assessor de imprensa para gerenciar essa crise solar.

O fato é que, chegando de mansinho e correndo da raia logo que a situação esquenta, ela, a arqui-inimiga solar, a chuva, também está pronta para o embate celeste. Pesando 0,03 gramas por gota e usando a capa da invisibilidade de Harry Potter, a chuva vem desconstruindo todo o trabalho de auto-promoção publicitária feita pelo sol há 4,6 bilhões de anos. É só ele, o sol, dar uma bobeira, sair para fumar um cigarro ou perder o foco navegando no facebook, que pronto, nuvens com pancadas de chuva aleatórias dominam o céu da Veneza Brasileira.  Uma desavença milenar: o fogo contra a água, neste confronto que deixa as donas de casa aflitas com as roupas no varal.

Se cada um respeitasse seu espaço, chuva no inverno e sol no verão, a vida seria mais mansa e o clima mais ameno. Mas, cada um de um lado, como Caim e Abel, nascidos do mesmo pai, o universo, só querem mesmo sentar na janela da galáxia enquanto gritam “ eu pedi primeiro”.  Sofremos nós, recifenses, que levam a sombrinha na bolsa num dia que faz um sol triste e saem de havaianas quando chove e alaga tudo.

Vamos tirar no par ou ímpar aê, galera?

*A foto e o título são de Rodrigo Lobo. Só pequei carona no comentário que Tavinho, meu cunhado, fez no face dizendo “esse título merece um texto”. Pronto, comprei a briga, escrevi o texto e, de quebra, tirei as roupas do varal. Vai que…..

Vista de cima!

O Recife como você nunca viu!

As imagens foram feitas pelo amigo Nilton Cavalcanti para testar o octocoptero (uma aeronave de controle remoto onde se prende a câmera). Diga aí de Recife num é bonita que só a gota serena?!