O turbante da discórdia

Me falta ânimo quando o racismo é combatido com mais racismo, só que ao contrario.

Dito isto, acho inválido o argumento da moça negra quando prega que moças brancas não devem usar turbante porque o mesmo é símbolo da luta negra e não modinha de it girl.

Vou deixar passar minha quase involuntária ironia, e nem vou alegar que o turbante, este tão inocente acessório da discórdia, veio mesmo foi do Oriente, antes do Islamismo. Vejam vocês, um simples pedaço de pano, usado na Índia, Paquistão, Afeganistão e no Oriente Médio, no banco dos réus pelo crime de apropriação cultural por parte das brancas.
Seguindo este raciocínio e considerando a hipótese de que o turbante tenha vindo da África, sem escalas, significa que turbante é somente coisa de negro. Indo além, seria então triste e lógico considerar errado negros usarem jeans, já que este tão querido item do armário foi criado por franceses brancos e popularizado por americanos mais brancos ainda, simbolizando a luta e resistência dos mineradores da Califórnia.

Mas, veja bem, em que encruzilhada fashion/cultural nos encontramos; imaginava eu que já estava mais do que na hora de juntar forças e não separá-las. Porque, no fim do dia, Martin Luther King disse I Have a Dream e não Independência ou Morte. Portanto, acho que agora, uma hora dessas, separar coisa de negro e coisa de branco é o mesmo que fazer um moonwalk na história de luta da união e coexistência da harmonia entre brancos, negros, amarelos, coloridos e os verdes de bolinha azul.

Até entendo essa resposta rancorosa de uma raça negra que sofre, até hoje, da elite brasileira branca um preconceito nojento e disfarçado que finge que a escravidão acabou, mas compra farda para a empregada negra.

“Overcome the devils with a thing called love” seria o recado do rastafári, Bob Marley.

Abre parênteses; negro usar dreadlocks é estar se apropriando culturalmente dos rastafáris? Branco pode? A Jamaica fica no Caribe, perto de Cuba, mas latinos da America do Sul podem? Fecha parênteses de forma confusa e fragmentada, porque até a gramática não sabe mais se este argumento de apropriação cultural é uma conjunção aditiva ou adversativa.

Nota – sou branca e esta não é uma tentativa fuleira de problematizar meus privilégios. Apenas de aceitá-los e me sentir envergonhada por eles. Que o turbante seja um elo e não uma lacuna.

#ApropriaçãoCultural #Turbante 

Look do fim de semana: sábado de samba!

cores1

cores5

cores2

cores3

cores6

Vestido – Estúdio Zero

Bolsa – Club Noir

Turbante – Estúdio Zero

Tennis – Adidas (comprada na Renner)

Óculos – Camelô do centro da cidade

Colar Pássaro Amarelo – Trocando em Miúdos

Colar pedra – Bruna Bert (designer de joias)